Por Simone Iglesias, da Bloomberg - Moradores do RS, SC e PR votarão em um plebiscito informal no dia 7 de outubro, sábado, para opinarem sobre a independência dos três estados.
Moradores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná votarão em um plebiscito informal no dia 7 de outubro, sábado, para opinarem sobre a independência dos três estados.
Inspirado na
votação pela independência da Catalunha no fim de semana passado, o grupo “O
Sul é o Meu País”, que reúne adeptos ao separatismo de três estados ricos do
sul do Brasil, está redobrando seus esforços para garantir mais adesão ao
movimento em meio à monumental crise política que o país enfrenta.
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| O grupo “O Sul é o Meu País” está redobrando seus esforços para garantir mais adesão ao movimento em meio à monumental crise política que o país enfrenta. (Movimento o Sul é o Meu País/Divulgação) |
Moradores do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná votarão em um plebiscito informal no dia 7 de outubro, sábado, para opinarem sobre a independência dos três estados.
Os
organizadores também estão estimulando seus possíveis compatriotas a assinar
uma proposta legislativa para cada uma de suas assembleias que exigiria um
referendo formal e vinculativo. O grupo, sem fins lucrativos, busca mobilizar
um milhão de eleitores em 900 das 1.191 cidades da região sul.
Mais frios,
mais brancos e mais ricos do que os demais estados do Brasil, Rio Grande do
Sul, Santa Catarina e Paraná flertam historicamente com a desvinculação do
território nacional.
Os gaúchos
reivindicaram brevemente a independência há cerca de 180 anos. Poucos
brasileiros esperam que o movimento atual seja bem sucedido, inclusive porque é
proibido pela Constituição.
No entanto,
a recessão mais profunda do país nas últimas décadas e os sucessivos escândalos
de corrupção exacerbaram o ressentimento de longa data da região em relação ao
governo federal, em Brasília.
Com apenas
um ano para as eleições gerais, o reavivamento do sentimento separatista no sul
é outro indicador do estado instável da política brasileira.
Celso
Deucher, líder do O Sul é o Meu País, diz que a região contribui com quatro
vezes mais impostos do que é devolvido aos três estados por meio de
investimentos e que há distorção na representação política no Congresso em
comparação às demais regiões. Deucher argumenta que uma situação tão injusta
supera quaisquer preocupações legais.
“Sempre que
o assunto do separatismo aparece, acaba refutado porque a Constituição federal
não o permite”, disse ele. “Mas a lei não é imutável, que se faça uma revisão
constitucional”.
A apatia, no
entanto, pode ser um grande obstáculo para as ambições do movimento como a lei.
Em uma votação informal no ano passado, esmagadores 96% votaram pela independência,
mas em uma participação de pouco menos de 3% do eleitorado dos três estados,
que é de 21 milhões de pessoas.
Outro fator
preponderante é que a riqueza do Sul também não é mais o que era há alguns
anos. Enquanto os salários e a escolaridade estão acima da média nacional, a
região ocupa atualmente apenas o terceiro lugar entre as cinco em termos de PIB
per capita, embora seja mais rica do que o Norte e o Nordeste por uma margem
considerável.
O Rio Grande
do Sul, maior dos três estados, está atualmente imerso em uma crise financeira
e perdeu grande parte da sua influência econômica, observa Fernando Schuler,
professor de ciência política da Insper, em São Paulo.
“Há um
descolamento cultural muito grande entre o Brasil do tropicalismo e o Sul”,
disse ele. “Os motivos da separação são sólidos, justificáveis, mas não acho viáveis”.
Conteúdo original publicado em https://exame.abril.com.br/brasil/voto-catalao-reanima-movimento-separatista-no-sul-do-brasil Visualizado em 04.out.17.

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